Pular para o conteúdo principal

Minha primeira viagem sozinha: Extrema/MG

 Em agosto de 2021, durante um dia de trabalho, notei que estava me sentindo sobrecarregada e que precisava tirar um dia de folga e dar uma escapada para cuidar da minha saúde mental, quando tive uma crise de ansiedade - quase um ataque de pânico - ao receber várias mensagens no whatsapp ao mesmo tempo e não saber por qual começava a responder.

Então, eu decidi tirar um fim de semana para mim.

Eu senti que precisava ser um momento mais recluso e chamei minha mãe para ir comigo - afinal, mãe é mãe, conforta a gente e a minha geralmente me tranquiliza com a presença dela nessas situações-, mas ela recusou o convite. Ela sugeriu que eu levasse meu irmão, mas ele não confirmou se iria...

Como eu disse, precisava ser um momento mais recluso e com essas dificuldades de companhia, ao mesmo tempo em que eu tinha esse instinto me chamando para me isolar, senti internamente que precisava ficar sozinha.

Mas como viajar sozinha? Para onde ir?

Nesse período, eu já vinha me conectando mais ao paganismo e neopaganismo, a algumas práticas pré-cristãs reinventadas no mundo contemporâneo e a bruxaria, então uma conexão com a natureza e a ideia de me isolar no meio do mato, no alto das montanhas, vieram como ideias fixas na minha mente e lá fui eu pesquisar pousadas e destinos mais próximos de Campinas que eu me sentiria mais segura para ir.

Viajando sozinha, considerei que passeios para cachoeiras maiores, trilhas, etc, poderiam não ser interessante devido aos riscos de acidentes, ou mesmo dos riscos que nós, mulheres, sempre precisamos estar atentas, como abusos, estupro, assalto. Também sabia que queria evitar multidão e que não poderia gastar muito na viagem, então descartei este tipo de atividade e destinos como Campos do Jordão cujo principal atrativo na cidade é fazer compras.

Pesquisando sobre pontos turísticos e atividades que eu poderia fazer sozinha, descobri a Escola de Falcoaria em Monte Verde/MG, que oferece interações assistidas com aves de rapina, como gavião-asa-de-telha e corujas, em uma área de preservação.

Para quem queria uma conexão com a natureza e sentir essa relação com a espiritualidade, a bruxaria e o sagrado feminino, essa possibilidade fez meus olhos brilharem e decidi que iria para Monte Verde e faria a interação com as aves de rapina.

Como os valores nessa cidade mineira estavam acima do que eu gostaria de encaixar no meu orçamento, devido a alta temporada, acabei optando por dormir em Extrema, cidade que fica a 1 hora de carro, aproximadamente.

Reservei um chalé na Pousada Mirante de Minas para o Dia dos Pais e agendei meu horário na Escola de Falcoaria para a segunda seguinte.

Minha experiência em Extrema e Monte Verde/MG

No domingo do dia dos pais do ano passado, eu arrumei uma pequena mala, enfiei algumas malhas, meia-calça, peguei o carro e fui para Extrema. O trajeto em si foi relativamente tranquilo. Como já estou habituada a dirigir em rodovias, sozinha, não tive dificuldades.

Apenas, claro, um ou outro carro que passou correndo por mim e força sair, mas até isso já me acostumei dirigindo em Campinas! 😅


Chegando em Extrema, me deparei com uma pousada pequena, simpática, gerenciada por um casal que mora em uma chácara ao lado e mantém um galinheiro. Fiz meu checkin e a dona ficou bastante surpresa quando comentei que estava viajando sozinha.

Acredito que não é somente por conta do destino, mas também porque em algumas regiões e cidades, ainda é bem incomum que mulheres viajem sozinhas.

Como já havia pesquisado uma cachoeira bem tranquila, que tinha uma prainha, depois do checkin e de andar um pouco para me habituar ao espaço da pousada, peguei o carro e tentei chegar a prainha.

E gente, esse foi um rolê que me deixou até um pouco frustrada no começo.

Dei voltas e mais voltas, andando em círculo com o carro e não conseguia achar a tal da prainha. Andei o bairro inteiro, de um lado para o outro, e só tinha encontrado um trecho que parecia um córrego, um pequeno trecho de mata sob uma ponte.

Ao pedir indicações, pelas informações que os moradores me deram, aí que fui entender que a tal da prainha era exatamente ali!

Voltei e procurei um local para estacionar. Não tinha estacionamento nenhum, diferente do que aparecia na internet. Só uma curva um pouco mais ampla, que dava para deixar o carro no acostamento. Parei, fiquei observando para ver se era seguro, hesitei um pouco.

Depois de - sei lá - uns 5 ou 10 minutos ponderando, estacionei o carro, deixei a bolsa no porta-malas, peguei a ecobag com a toalha de praia, lanchinho e saí, olhando por cima do ombro alguns punhados de vezes, desconfiada, e desci para a tal da cachoeira.

A prainha tinha uma faixa de areia até que larga, e tinha um casal, um homem e uma criança ali, bebendo, ouvindo sertanejo alto (quem me conhece sabe que não sou fã desse estilo) e curtindo a tarde de domingo deles.


Eu me acomodei um pouco afastada, colocando a toalha de praia na areia, tirei o coturno e deixei a ecobag na areia. E passei por uma das situações mais estranhas...

A mulher que estava com os dois homens começou a me questionar por quê estava ali sozinha, na areia, observando a cachoeira, se eu estava deprimida, se eu queria tentar me suicidar, etc.

E fiquei constrangida. Será que só porque sou uma mulher viajando sozinha, que estava tentando curtir a natureza, relaxar, e me recuperar de um estado de estresse, isso significava que eu estava deprimida e queria me matar?

Tentei explicar que não, que só estava tentando me desconectar um pouco do trabalho, que estava muito estressada, conversei um pouco e eles queriam me convidar para beber - o que eu não me sentia confortável, ainda mais com dois homens ali. Recusei algumas vezes e acho que estava visível que já estava ficando incomodada. Depois de um tempo, eles acabaram indo embora e a mulher ainda soltou por cima do ombro para que eu não tentasse me afogar.

Sinceramente? Respirei aliviada quando foram embora, porque eu já não queria mais ter de explicar de novo a minha situação.

Me vendo sozinha, aí me senti livre para fazer o que eu queria há algum tempo, mas que estava evitando devido a insistência da mulher de que eu iria me suicidar!


Arregacei o jeans e fui pra água! Me sentei nas pedras e fiquei balançando as pernas dentro da cascata, respirando o ar puro e sentindo minha pele ficar vermelha que nem um pimentão de tão gelada que a água estava.

Arrisquei até ir para a parte onde as águas estavam correndo mais e aí que eu fiz a cagada.

Escorreguei na pedra molhada e com limo e levei um tombo daqueles! Minha calça ficou toda molhada, o bumbum sujo e eu acabei rindo de mim mesma, morrendo de frio.

Meu rolê acabou rápido: voltei para a areia, enfiei as coisas que davam na bolsa, tentei me secar o melhor que pude com a toalha, subi a rampa para o carro, dirigindo descalça com a roupa toda molhada, voltei para a pousada correndo!

Um banho quente depois, fui dar uma volta na pousada, brinquei com os gatinhos da pousada, pedi meu sanduíche, por fim, me enfiei debaixo das cobertas para dormir e no dia seguinte, subir para Monte Verde interagir com as aves de rapina, que vou contar no próximo post!

Comentários